Em parceria inédita, cooperativa de agricultores irá beneficiar castanha-do-Brasil de associação indígena na Amazônia

Projeto Poço de Carbono Juruena

Em parceria inédita, cooperativa de agricultores irá beneficiar castanha-do-Brasil de associação indígena na Amazônia

castanha-do-Brasil

A Cooperativa de Agricultores do Vale do Amanhecer – Coopavam, localizada em Juruena, região Noroeste de Mato Grosso, está beneficiando 22 toneladas de castanha-do-Brasil da Associação Floresta Protegida – AFP. A entidade, que fica em Tucumã, no Pará, representa 22 comunidades e cerca de 3 mil indígenas do Povo Mẽbêngôkre / Kayapó.

A parceria inédita entre uma cooperativa de agricultores e uma associação de povos indígenas visa aproveitar a capacidade operacional da Coopavam para apoiar comunidades indígenas que tenham alternativas de renda com extrativismo. A cooperativa anualmente beneficia 200 toneladas de castanha de povos indígenas do Noroeste de MT e desenvolve diversos produtos como a amêndoa, farinha, barra de cereais e óleo do fruto da castanheira.

“Esta é uma oportunidade muito importante para fortalecer agricultores povos da floresta, a proposta é que a associação pague somente os custos do beneficiamento, sem lucros para a cooperativa, numa parceria ganha-ganha”, explica Paulo Nunes, coordenador do Poço de Carbono Juruena. Foi este projeto, desenvolvido pela Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena – Aderjur e patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, que viabilizou a parceria que também recebeu apoio do Projeto Bem Diverso, da Embrapa e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Visita à fábrica da Coopavam

Fábrica da Coopavam

Adriano Jerozolimski, coordenador executivo da Associação Floresta Protegida, explica que o principal objetivo é agregar valor a castanha produzida pelas comunidades no sul do Pará, que ultrapassa as 200 toneladas por safra. “Esse beneficiamento irá gerar mais renda aos extrativistas para que eles possam manter essa atividade, que contribui para a conservação da floresta, já que os castanhais são nativos” explica.

“Além disso, a atividade contribui para a proteção territorial e também como repasse de conhecimento dos mais velhos para os mais jovens”, complementa. Isso acontece porque os indígenas precisam percorrer longos trajetos até os castanhais, no interior de suas terras. Essas andanças evitam que suas terras sejam invadidas.

Como a coleta de castanha geralmente é uma atividade que envolve toda a família, vários conhecimentos sobre a floresta, fauna, cosmologia entre outros são repassados nesta atividade.

Larga escala

Paulo Nunes, coordenador do Poço de Carbono Juruena, tem uma meta ainda mais ousada. Ele acredita que o beneficiamento de castanha-do-Brasil poderá fortalecer ainda mais o extrativismo desta amêndoa como fonte de renda.
“Se nós conseguirmos beneficiar castanhas de várias comunidades num só local, teremos mais condições de negociar lotes maiores para grandes compradores”, explica. A ideia é simples, mas inédita. Isoladamente, cada grupo coletor consegue vender a castanha nos mercados internos e regionais.

Alguns grupos, como os que são parceiros do projeto Poço de Carbono Juruena, conseguem atingir mercados nacionais, graças a quantidade produzida, mas também pela qualidade alcançada devido a técnicas de boas práticas.
Organizando vários parceiros seria possível negociar a comercialização do produto para o mercado europeu ou asiático, por exemplo.

Coopavam

A Coopavam, criada em 2008, está sediada no município de Juruena, atuando também nos municípios de Juína, Castanheira, Cotriguaçu, Colniza, Aripuanã, Juara e Brasnorte, no Noroeste de Mato Grosso. Nesta área, superior a 100 mil quilômetros quadrados, é a única Cooperativa que trabalha com produtos da sociobiodiversidade envolvendo agricultores familiares de assentamentos, aldeões de quatro Terras Indígenas e atende um público de pelo menos 700 indígenas. Pelos resultados socioambientais alcançados a Coopavam recebeu o prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU em 2012.

Associação Floresta Protegida

A Associação Floresta Protegida foi criada em 2002, com os objetivos de fortalecer as comunidades Mẽbêngôkre / Kayapó para a proteção de seus territórios e recursos naturais. Também visa apoiar o desenvolvimento de alternativas sustentáveis de geração de renda e valorizar o patrimônio cultural desta etnia. A associação atua como mediadora e facilitadora da relação dos Mẽbêngôkre / Kayapó com a sociedade envolvente, por meio de captação e gestão de recursos para projetos estruturantes, da divulgação e valorização da cultura, assim como da defesa dos direitos indígenas e busca por melhorias na qualidade de vida das aldeias que representa.

Poço de Carbono Juruena

O projeto Poço de Carbono Juruena oferece alternativas sustentáveis de renda aos agricultores familiares e povos indígenas. Em 2013, foi certificado pela Fundação Banco do Brasil como Tecnologia Social.

Ele incentiva a diversificação de cultivos na recuperação de áreas por meio de sistemas agroflorestais em pequenas propriedades de Juruena. Dessa forma, agricultores têm diversas opções de cultivos e uma renda garantida e melhor distribuída ao longo do ano. Além do benefício econômico, os sistemas agroflorestais “imitam” o comportamento da floresta, armazenando carbono e ajudando a mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Ao mesmo tempo o projeto apoia o extrativismo da castanha-do-Brasil, incluindo a participação de mulheres e povos indígenas de vários municípios do Noroeste de Mato Grosso, como incentivo à conservação da floresta.

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